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<title>Sopa de Letras </title>
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<description>site destinado a publicação trabalhos acadêmicos Letras, História, Pedagogia, Geografia e áreas afins. </description>
<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 04:38:41 +0300</pubDate>
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<title>Sopa de Letras </title>
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	<title>Para ler o Pato Donald: comunicação em massa e colonialismo </title>
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		<description><![CDATA[<p>Por FÁBIO CARNEIRO SOUZA - Licenciado em Letras Vernáculas, Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literaturas, Estudante do Curso de História pela UNEB/Campus XIV e Professor de escolas públicas. </p>
<p>O livro Para ler o Pato Donald: comunicação em massa e colonialismo (Paz e Terra, 1980, 3ª edição, 135 p.) do chileno Ariel Dorfman e do belga Armand Mattelart com tradução e prefácio de Álvaro de Moya, escrito em 1971, analisa o fenômeno das comunicações em massa, fazendo uma severa crítica ao teor político da ideologia Disney de conformismo, autoritarismo, consumismo, moralismo e puritanismo divulgados através dos personagens infantis criados pela empresa norte-americana. Os autores mostram que, através desse produto cultural, pode-se enviar mensagens ideológicas que estimulam a dependência cultural e reforçam valores típicos da economia capitalista. Fruto do período em que o governo Allende, no Chile, debatia-se para sobreviver às pressões do imperialismo norte-americano, este livro foi de grandiosa contribuição para os estudos sobre a importância e a influência dos instrumentos de comunicação em massa e fez muito sucesso nos anos 70 e 80, principalmente entre o pessoal de esquerda.<br />
	No livro, os autores criticam as intenções de Disney que se baseiam na necessidade de que o mundo seja aceito como natural, ou seja, que combine os rasgos de normalidade, regularidade e infantilismo. As críticas vão além das revistinhas em quadrinhos, pois o terreno criado pela empresa de Walt é um vasto império que cruza desde o cinema, passando por parques de diversões, até produtos comercializados em supermercados e na televisão, todos com forte poder de persuasão, que influenciam fortemente o ambiente em que estão inseridos - o mundo infantil e aqueles que o rodeiam.<br />
	 O orbe de Walt Disney está povoado de animais. A natureza invade tudo e coloniza o conjunto das relações sociais, animalizando-as e desenhando-as com inocência. A criança acaba se identificando com o mundo dos bichos – lobos, patos, cães e camundongos ganham animação e passam uma mensagem, uma lição moral, assim como nas fábulas de outrora. “Os jogos infantis assumem suas próprias regras e códigos” (DORFMAN & MATTELART: 1980, p.17) com os personagens de tipos cotidianos encontrados em todas as classes, países e épocas. São animais que ganham comportamentos e mentalidades humanas, capazes de dotarem os pequeninos de características que a literatura infantil jura que eles possuem. Os valores adultos são projetados nas crianças, dando-lhes autonomia, tramando a aparência de uma divisão entre o mágico e o cotidiano.<br />
	Diante disso, no capítulo II do livro, os autores enfocam a questão do mito do “selvagem bonzinho”, aquele que vive em perfeita harmonia com a natureza e que continua fiel à sua condição de animal. Personagens do mundo subdesenvolvido, geralmente do sexo masculino, são explorados de maneira mascarada, não tão explícita aos olhos de leitores desatentos. Nas histórias em quadrinhos de Disney, jamais se poderá encontrar um trabalhador ou um proletário, jamais alguém produz industrialmente algo. Mas isto não significa que a classe proletária esteja ausente. Pelo contrário, ela aparece sob as máscaras de uma ideologia do dominante.<br />
	Os personagens disneylandescos que representam o mundo subdesenvolvido são sempre mostrados como despreocupados, ingênuos e felizes. Têm ataques de raiva quando são contrariados, mas é muito fácil aplacá-los com quinquilharias. Aceitam qualquer presente, até mesmo os seus próprios tesouros. Alguns fazem artesanato, outros são atrasados, escravos e/ou seres explorados, que trocam ouro ou matérias preciosas por quaisquer objetos sem muito valor econômico (para o mundo capitalista), como numa analogia ao período de colonização em que os índios americanos praticavam esse tipo de comércio e eram explorados pelos europeus.<br />
“(...) os meninos-selvagens-bonzinhos que aceitam esta autoridade estrangeira e entregam suas riquezas se revelam  como uma réplica matemática da relação entre metrópole e satélite, entre o império e sua colônia, entre os donos e seus escravos. Tanto é assim que os metropolitanos não buscam só tesouros, mas também vendem aos nativos do mundo todo revista (como estas da Disney) para que aprendam o papel que a imprensa urbana dominante deseja que cumpram”. (DORFMAN & MATTELART: 1980, p. 54)</p>
<p>	O mito do “bom selvagem” envolve uma atitude de autodepreciação, aviltamento da cultura alheia e de idealização do outro – justamente o que os autores tentam acusar no mundo criado por Disney, que coloca “nas cabeças” das crianças que os estrangeiros (quase sempre os norte-americanos) são infinitamente melhores e/ou superiores. Na cidade da Patolândia (idealização de lugar que representa os Estados Unidos no inventário Disney), habitam os personagens que devem servir de arquétipos para o resto do mundo: os patos civilizados. Na terra natal do Pato Donald, do Tio Patinhas e dos outros personagens, encontra-se o melhor local para a sobrevivência. Supremacia do dominador pelo dominado.<br />
	A política da boa vizinhança exercida pelos Estados Unidos imperialista achou em Walt Disney um parceiro à altura. Em nome da “colaboração”, eles continuariam exercendo suas pressões sobre os vizinhos da América Latina e Caribe (considerados pela grande potência como quintal particular). A empresa americana produziu até um filme sobre as maravilhas brasileiras, e fora criado uma personagem em homenagem ao Brasil - o malandro Zé Carioca – mais um estereótipo do povo subdesenvolvido e que, como de costume, mantém a linha  de outros personagens criados fora do ambiente norte-americano.<br />
	A idéia de Dorfman e Mattelart, ao escreverem e publicarem este texto, era justamente denunciar a ideologia imperialista que dominava as aparentemente inocentes histórias infantis de Disney. A primeira descoberta dos autores está relacionada à vida familiar. Não há nenhum vínculo familiar direto nas histórias. Todos são tios ou sobrinhos de alguém. Minie tem suas sobrinhas, Pateta também, e o carro-chefe das histórias em quadrinhos da Disney, o Tio Donald, é o zelador dos seus três sobrinhos - Huguinho, Zezinho e Luizinho - nascidos não se sabe de onde, nem de quem, e sempre atuantes nas aventuras animadas.<br />
	Não se pode pensar, no entanto, que a ausência física do pai venha a eliminar o poder paterno. Este é transferido para o tio, que assume esse papel dando uma conotação de menos autoritarismo. E essa autoridade, segundo os autores, se funda na biologia. É uma relação contratual que toma aparência de uma relação natural, uma tirania que não assume sequer a relação de um nascimento, onde o adulto desempenha o papel de dominante e a criança de dominado, camuflando o papel do pai numa fauna de personagens.<br />
	A ausência de relações familiares consideradas normais (pais e filhos), bem como o repúdio ao sexo e de explicações sobre o nascimento e morte dos personagens seria parte de uma trama muito bem planejada.<br />
	 Um outro aspecto muito criticado na obra pelos autores é a feminilidade, que entra em pauta com papéis adstritos a sua “natureza feminina”: modista, secretária, decoradora, criada, enfermeira, vendedora. A mulher não é afeita ao trabalho, mas se dedica muito bem a obras de caridade, a presidir clubes de beneficência local. São sempre cobiçadas. É o caso de Margarida, tão desejada por Donald e que, como as outras, nunca chega a ser possuída – embora os homens vivam a perpétua possibilidade de perdê-las. Não se pode confundir o desejo que o Donald sente por sua enamorada com apetite sexual. Essa forma de cobiça não está presente nas obras de Walt Disney. A posse carnal e o orgasmo vão estar sempre escondidos. É criado pelos desenhos da Disneylândia um “mundo sexual assexuado”.<br />
“A historieta tem trabalhado para conseguir de novo esta deformação de um setor da realidade, neste caso o feminino, sobre o ‘fundo natural’ da mulher, seu ‘ser essencial’, aproveitando somente aqueles rasgos que acentuam epidermicamente sua condição de objeto sexual inútil, ansiado e nunca possuído; esquecendo, entre outras coisas, tanto a função maternal como a de companheira solidária. Nem se fala da mulher emancipada intelectual e sexualmente: o sexo está, porém, sem sua razão de ser, sem o prazer, sem o amor, sem a perpetuação da espécie, sem comunicação”. (DORFMAN & MATTELART, p. 36, 1980)</p>
<p>Assim, no capítulo IV, reflete-se bem o espírito da época, com uma explicação racional e, claro, marxista sobre o fenômeno das histórias em quadrinhos. Mostrava como cada quadro era imbuído de uma densa propaganda ideológica e como os arquétipos ali presentes eram aqueles do capitalismo americano. A busca incessante pelo capital (segundo os autores, em 75% dos gibis lidos por eles, para contribuição para a obra, os personagens que viajavam estavam sempre na busca por ouro) é uma forte marca das histórias em quadrinhos produzidas pela Disneylândia. Os personagens são aurófagos (devoradores de ouro), principalmente o ambicioso Tio Patinhas. Este ouro era sempre encontrado fora das cidades, seja num deserto, numa floresta ou em nações distantes da Patolândia. Ele aparece nesses locais e são doados pela natureza benevolentemente, não é fruto do trabalho do homem, não há esforços para consegui-lo. Está aí a explicação de não aparecer nos centros urbanos, pois as cidades têm um cotidiano de produção e é preciso dar naturalidade e infantilizar a aparição da riqueza. Assim, tesouros são caçados a todo instante, geograficamente encontrados pela localização de mapas ou pergaminhos antigos. É necessário que as crianças se autoconvençam de que cada tesouro carece de uma história que surge por encanto, sem encher as mãos de nenhum operário de calos. O livro de Dorfman e Mattelart desmascarou a propaganda imperialista e de ganância pela riqueza presentes em histórias como essas.<br />
	No mundo disneylandescos ninguém trabalha. Todos consomem sem fazer esforço algum para conseguir o capital e para adquirir o que se consome. A grande força de trabalho é a própria natureza, que produz objetos humanos e sociais como se fossem naturais. Os frutos desenvolvidos pela terra-mãe devem ser recolhidos sem qualquer sentimento de culpa. É a natureza a mediadora-mor da relação entre o homem e a riqueza. O operário produto é omitido: na cidade é criminoso e no campo é o selvagem-bonzinho.<br />
	O personagem da magia Disney de maior destaque, segundo os autores, é o Pato Donald – presente, inclusive. no título do livro. É o pato também o mais popular na América Latina, enquanto que, nos Estados Unidos e na Europa, o rei da fantasia e da popularidade é o rato Mickey. Sua cavalheiresca generosidade e sua simpatia limpa o tornam, no universo Disney, a imagem da permanência e da superioridade dos Estados Unidos.<br />
	No lado contrário está Donald. Na pele do tio-pai atrapalhado, o mais idolatrado e/ou que mais se identifica com os latinos, ele representa o trabalhador que não gosta de batalhar para conseguir ascensão social. Quer sempre empregos fáceis, sem esforço mental ou físico e que não provoquem cansaço. Enfim, quer ter um salário sem “gastar suor”, como a vigilância noturna de um museu de cera, citada pelos autores no capítulo V do livro. Donald, aos olhos do seu criador, representa o autêntico trabalhador contemporâneo – o que é uma falsificação, pois o trabalho para ele é prescindível, enquanto o trabalhador necessita do salário de verdade e procura desesperadamente. Para Donald, o salário é encontrado de maneira fácil, sem problemas, enquanto o trabalhador de verdade produz e sofre como resultado da exploração de que é objeto. Donald padece ilusoriamente no trabalho, que para ele é uma aventura constante, enquanto o trabalhador verdadeiro batalha, submetendo-se para sobreviver diariamente. “Donald representa bastardamente todos os trabalhadores que devem imitar sua submissão, porque eles tampouco teriam colaborado na edificação desse mundo material”. (DORFMAN & MATTELART, p. 92)<br />
	De acordo com os escritores, Disney toma posse da História. Invadindo todo o passado e o futuro com se estivesse estruturado ali o presente, em nome de sua classe social e da cultura imperialista e egocêntrica do seu país. Às vezes, em sonhos, hipnose ou máquina do tempo, os protagonistas das aventuras pousam em Roma ou na pré-história e lá determinam seu itinerário. Como é citado no livro, e que foi encontrado pelos autores nas suas análises das “historietas em quadrinhos”, há no Egito uma esfinge com a cara do Tio Patinhas e o próprio manda esculpirem no Mount Rushmore sua cabeça, junto aos próceres norte-americanos. Está aí uma forma de patentear para si a história da humanidade e adestrá-la ao seu ritmo.<br />
	A fórmula propagandista apresentada no texto não é uma criação exclusiva de Walt. Ela já vinha de uma epidemia capitalista, de uma política de supremacia da metrópole para com a periferia. A tentativa desta empresa em apregoar e impregnar nos seus leitores seus conceitos e sua visão de mundo (fantasiada) seguia a linha metodológica dos ianques, que buscava difundir pelos quatro cantos, como porta-voz do “american way of life”, um mundo refrescado pela coca-cola e pelo cinema, importados por todos os países latino-americanos carentes e dependentes da cultura externa. Disney soube administrar muito bem essa carência. Soube usufruir dessa ausência de produção local e abocanhou a parcela que mais precisa de um “pai” acolhedor - as populações de países subdesenvolvidos importadores de fatores superestruturais, monocultura e plurifacetismo urbano.<br />
	Para Dorfman e Mattelart, o valor estético e educativo dessas histórias é falso. Para eles, essas historietas existem para ser destruídas e é o que eles tentam fazer com a publicação desse livro: mostrar que por trás de contos de fadas evolvendo dóceis senhoritas e animais pensantes (ou não), há todo um intuito de submissão e transposição de uma cultura imperialista e consumista vinda da parte norte da América.<br />
	Eles ainda deixam claro na conclusão da obra que esta não havia nascido da cabeça aloucada dos autores, mas de um contexto de luta em que se busca a destruição dos inimigos de sua classe em seu terreno e nos deles. Disney, para os autores, é um empresário burguês adversário da revolução e de seus fazedores. A Disneylândia deveria se comportar da maneira que eles (os autores) desejavam, sem diferenciar os mocinhos dos vilões. Todos deveriam ser a favor da revolução e lutar por ela, ser onipresente no contexto da luta.<br />
	Talvez o calcanhar de Aquiles desse livro esteja em não reconhecer em momento algum a importância das produções de Walt Disney para a humanidade. Nenhuma empresa, seja ela de qual for a linha de comércio, sobreviveria a tantas transformações políticas e econômicas, tornando-se atemporal, se não tivesse também um valor cultural, educacional e politizante que agradasse a muitos, e não só a uma camada privilegiada. Muitas gerações foram construídas e formadas a partir da fantasia de Disney e muitos órfãos viram-se aparados nestas “histórias encantadas”, cobertas ou não de ideologia hegemônica.<br />
	A vantagem dessa obra é que ela nos faz repensar a importância desses veículos de comunicação em massa, sua dimensão e capacidade de persuasão do povo. Porém, aceitá-las como verdade absoluta, sem discordar ou consultar variadas fontes, nos torna inertes às mudanças de nossa sociedade.<br />
	Na obra em análise, são claros o seu pensamento de esquerda e a luta constante contra a supremacia dos Estados Unidos. A concepção marxista é presente em toda a explanação da tese e, por isso, torna mais enriquecedor o seu processo de incriminar a Disneylândia acusando-a de fazer uma “politicagem” a favor da super-potência e de sua superioridade sobre os países colonizados da América empobrecida. E se adentramos nas entrelinhas do livro, vamos perceber que a causa de tal pobreza vem da exploração que tal país exerce sobre seus dominados. Portanto, é por razão disso e dele que até hoje “se paga o Pato”.</p>
<p>Sobre os autores</p>
<p>Após o golpe de estado no Chile, o escritor Ariel Dorfman exilou-se nos Estados Unidos (grande ironia para quem tanto repudiou este país). Vive com a família em Durham, Carolina do Norte, onde é professor na Duke University. Escreveu também a peça A morte e a donzela, grande sucesso em todo o mundo, traduzida em mais de 40 línguas, apresentada em 90 países e adaptada para o cinema pelo cineasta Roman Polanski. Dorfman é também membro da Divisão de Publicações Infantis e Educativas de Quimantu e teve a autorização do Departamento de Espanhol da U. do Chile para publicação da obra.<br />
	Já Mattelart nasceu na Bélgica, em 1936. Sociólogo, partiu para o Chile após o seu doutorado. Lá, residiu até 1973, dedicando-se ao estudo das comunicações em massa. No período da publicação do livro, era chefe da secção de Investigação e Avaliação de Comunicações de Massas de Quimantu, professor-investigador do Centro de Estudos da Realidade Nacional e também foi outorgado a participar da conclusão do texto. É ainda professor da Universidade Paris VIII, na França, e um dos mais ácidos críticos do monopólio mundial dos meios de comunicação e da indústria cultural, assim como um dos mais respeitados estudiosos nesse campo.</p>
<p>Sobre a obra</p>
<p>Para compreender melhor Para ler o Pato Donald, é necessário entender de onde ele surgiu. A obra era parte de um projeto de educação popular criado pelo governo de Salvador Allende, um socialista que chegou ao poder no Chile pelo voto, em 1970, promovendo a reforma agrária e a nacionalização de bancos e minas – experiência única em nosso conturbado continente. Seu governo chegou ao fim de modo clássico, com um golpe militar. Em 1973, um levante apoiado pelos americanos, que já vinham boicotando a compra do cobre chileno, terminou com a morte de Allende e com a posse do general Augusto Pinochet, mais tarde o responsável pelo assassinato de mais de duas mil pessoas. Destruir o predomínio econômico e imperialista, abrindo caminho para a construção de uma sociedade socialista fazia parte tanto das idéias do governo de Salvador Allende quanto do objetivo central deste livro. </p>
<p>“Outros atores marcaram sua presença no processo chileno. Deve-se destacar a ação externa comandada pelos EUA, primeiro para impedir a posse e depois visando a deposição de Allende. As ações norte-americanas foram, evidentemente, um fator importante para o fracasso da experiência chilena. Entretanto, o processo político como um todo não pode ter na intervenção externa  a sua única determinação. Não conseguindo impedir a posse do presidente eleito, foi necessária a emergência de uma conjunção bastante específica  de fatores políticos e econômicos para que a estratégia de deposição do governo pudesse ter sucesso.” (AGGIO: 2002, p.109)</p>
<p>No próprio prólogo do livro, já há uma explicação dos escritores sobre a intenção da obra e, nele (no Pró-logo para pató-logo, como é intitulado), também se projeta a divulgação maciça das idéias básicas que o permeiam, dizendo não serem muito compreendidas devido ao nível educacional dos seus povos. Mostra ainda que o ritmo da penetração de massa de suas críticas não pode obedecer à mesma norma popularesca com que a burguesia vulgariza seus próprios valores. Os autores também aproveitam o ensejo para agradecer aos estudantes do CEREN (Universidade Católica do Chile) e do seminário sobre “subliteratura e modo de combatê-la” pelas constantes contribuições a esta temática. Os autores desejam que Para Ler o Pato Donald chegue às massas populares, porém sem se tornar uma leitura popularesca.<br />
	A capa do livro já traz a idéia que os autores têm da fantasia Disney: mostra um Pato Donald com uma fisionomia fechada, acarrancada, como para despertar a raiva dos leitores com o imperialismo dessa empresa. Um Donald enraivado, com o rosto odioso e os olhos maquiavélicos, faz os leitores deduzirem (ou tenta-se fazer isso) as intenções e os interesses desses veículos de comunicação para as massas.</p>
<p>Referência Bibliográfica:<br />
AGGIO, Alberto. Democracia e Socialismo: a experiência chilena. 2ª ed. São Paulo: Annablune, 2002.
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/19/para-ler-o-pato-donald-comunicacao-em-massa-e-colonialismo#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Mon, 19 May 2008 14:52:38 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>IV Encontro de História - Anpuh-Ba</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/iv-encontro-de-historia-anpuh-ba</link>
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		<description><![CDATA[<p>APRESENTAÇÃO </p>
<p>Dando prosseguimento aos já consolidados encontros bienais promovidos pelo núcleo regional baiano da ANPUH (Associação Nacional de História), o Departamento de História da UESB tem a honra de realizar o IV Encontro Estadual de História da ANPUH-BA, no período de 29 de julho a 01 de agosto de 2008. Depois dos bem sucedidos encontros de Ilhéus (UESC, em 2002), Feira de Santana (UEFS, em 2004) e Caetité (UNEB-Campos VI, em 2006), Vitória da Conquista, tradicional cidade do Sudoeste baiano, tendo a UESB como locus institucional, completa o ciclo de encontros estaduais, a serem promovidos, inicialmente, pelas Universidades Estaduais Baianas, conforme planejado em Niterói, momento de refundação de nosso núcleo, em 2001.</p>
<p>O tema do evento, aprovado na assembléia geral do III encontro Estadual, História: sujeitos, saberes e práticas, valoriza a pesquisa e o ensino de História em todas as suas dimensões. As discussões em torno do tema devem promover um intenso e profícuo diálogo de todos os envolvidos com a produção do conhecimento histórico: pesquisadores, professores e alunos dos diversos cursos de História das universidades baianas, juntamente com todos aqueles que se interessam pelos estudos históricos. </p>
<p>Esperamos, neste encontro, momento privilegiado de intercâmbio de diversos segmentos da comunidade acadêmica, contribuir para a construção das condições necessárias para a formação de profissionais (professores e pesquisadores) e cidadãos comprometidos com uma sociedade mais justa e mais consciente de seu papel de verdadeiros sujeitos de uma História, cujo caráter utópico deve estar presente, mesmo no seio de uma realidade fragmentada e presumivelmente virtualizada, na qual os historiadores procuram um lugar.
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/iv-encontro-de-historia-anpuh-ba#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 18:44:06 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>I Seminário de Português como Língua Estrangeira da UESC</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/i-seminario-de-portuguas-como-langua-estrangeira-da-uesc</link>
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		<description><![CDATA[<p>O Departamento de Letras e Artes (DLA) da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC – promove, nos próximos dias 26 e 27 de junho, o I Seminário de Português como Língua Estrangeira da UESC: questões identitárias e culturais. O evento será realizado no auditório do Centro de Arte e Cultura Governador Paulo Souto, tendo início às 8 horas. </p>
<p>    Sob a coordenação dos professores Cesário Alvim, Cláudia Lanis, Élida Paulina, Janaína Alves, Juliana Menezes e Maria D’Ajuda Ribeiro, o seminário tem como objetivo congregar profissionais que militam no ensino-aprendizagem de Português como segunda língua ou língua estrangeira, buscando discutir questões identitárias e culturais. </p>
<p>    O evento terá, na abertura, a presença do Pró-Reitor de Extensão, professor doutor Raimundo Bonfim, e da Diretora do DLA, professora doutora Vânia Torga. Em seguida, será realizada a conferência “De que é feito um eu profissional no ensino de PLE?”, com o professor doutor José Carlos Almeida, da Universidade de Brasília (UNB). Logo após, haverá mesa-redonda com os professores Cesário Alvim, Maria D’Ajuda Ribeiro, Elizabete Marques (UFMS), sobre “A identidade cultural no Processo de ensino-aprendizagem de Português L2/LE”, tendo como mediadora a professora Juliana Menezes. </p>
<p>    À tarde, o evento terá continuidade com uma sessão de comunicações e aulas demonstrativas. Logo após, haverá conferência sobre “O ensino de PLE em comunidades indígenas: uma questão de identidade”, com a professora doutora Rosane de Sá, da USP. Em seguida, os participantes farão um passeio cultural pelo Quarteirão Jorge Amado, em Ilhéus. </p>
<p>    No dia 27, o seminário reiniciará, às 8 horas, com uma conferência ministrada pelo professor doutor Manuel Martí Sánchez, da Universidade de Alcalá (Espanha), sobre “El enfoque idiomático en la gramática de uma LE y L2”. Em seguida, serão apresentados projetos de pesquisa e extensão de PLE, seguido de exibições de pôsteres e comunicações. À tarde, será realizada uma atividade cultural e uma conferência sobre “Avaliação em LE/L2 e o exame CELP-BRAS”, com a professora doutora Matilde Scaramucci, da UNICAMP. O encerramento do evento contará com a presença do grupo Chorinho, de Ilhéus. </p>
<p>    O I Seminário de Português como Língua Estrangeira da UESC é voltado para estudantes, professores e pesquisadores do campo do Português como língua estrangeira. As inscrições serão realizadas no protocolo geral da UESC, do dia 13 de maio a 20 de junho. Maiores informações através do telefone 3680-5391 ou 3680-5088.
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/i-seminario-de-portuguas-como-langua-estrangeira-da-uesc#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 18:38:33 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>1º Encontro Baiano de Ensino e Pesquisa em Geografia - 18 a 21 de agosto de 2008</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/1-encontro-baiano-de-ensino-e-pesquisa-em-geografia-18-a-21-de-agosto-de-2008</link>
	<guid>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/1-encontro-baiano-de-ensino-e-pesquisa-em-geografia-18-a-21-de-agosto-de-2008</guid>
		<description><![CDATA[<p>1º Encontro Baiano de Ensino e Pesquisa em Geografia: Perspectivas e desafios na formação inicial e continuada de professores de Geografia.</p>
<p>18 a 21 de agosto de 2008</p>
<p>O 1º ENCONTRO BAIANO DE ENSINO E PESQUISA EM GEOGRAFIA: Perspectivas e desafios na formação inicial e continuada de professores de Geografia, a se realizar no período de 18 a 21 de agosto de 2008, é uma iniciativa da subárea de Metodologia e Prática de Ensino de Geografia do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem por finalidade discutir as problemáticas e perspectivas da formação de professores de Geografia, bem como o ensino da Geografia nos níveis fundamental, médio e superior. A divulgação e discussão de pesquisas sobre a temática e o diálogo entre professores e pesquisadores, se dará através de atividades como palestras, mesas-redondas, socialização de experiências didáticas e apresentação de trabalhos de pesquisa. O evento contará com a presença de Lana Cavalcanti (UFG/GO), Tânia Sausen (INPE/GO) e Andréa Lastoria (USP Ribeirão Preto/SP), entre outros profissionais da Educação.
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/1-encontro-baiano-de-ensino-e-pesquisa-em-geografia-18-a-21-de-agosto-de-2008#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 18:35:13 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>II ENEALE (Encontro Nacional de Ensino-Aprendizagem de Leitura e Escrita)</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/ii-eneale-encontro-nacional-de-ensino-aprendizagem-de-leitura-e-escrita</link>
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		<description><![CDATA[<p>UEFS- Módulo II, Campus Universitário   </p>
<p>Data: 18 a 20 de junho de 2008</p>
<p>Promoção: Departamento de Letras e Artes     Grupo GEALE </p>
<p>Objetivos: Integrar pesquisadores, professores e alunos de diferentes níveis de ensino, diferentes realidades e contextos, no intuito de discutir e propor novas estratégias de ensino-aprendizagem de leitura e escrita, seja em língua primeira seja em línguas estrangeiras, a fim de apontar novos caminhos para a educação brasileira no que concerne a leitura e a escrita, além de divulgar as pesquisas realizadas em cada uma das instituições participante.</p>
<p>Coordenação Geral: Profa Dra Girlene Lima Portela (DLET/UEFS)</p>
<p>Secretária:        Laís Portela: lainhap@ig.com.br</p>
<p>E-mail para informações e envio das propostas: eneale2@yahoo.com.br</p>
<p>FORMAS DE PARTICIPAÇÃO E TITULAÇÃO EXIGIDA: </p>
<p>a)  Coordenador de GT (mestre ou doutor) </p>
<p>Atribuições: propor áreas e linhas de discussão, além de receber as propostas dos participantes, selecionar aquelas pertinentes e organizar os GT’s.</p>
<p>b)  Coordenador de Mesa-redonda (mestre ou doutor)</p>
<p>Atribuições: organizar as comunicações por temas, buscando uma sinergia entre os temas tratados, de forma a estabelecer uma progressão acerca da temática geral.</p>
<p>c) Participante de GT e de Mesa-redonda (graduando e pós-graduando, professores do ensino fundamental e médio)</p>
<p>Atribuições: propor comunicações e/ou pôsteres.  </p>
<p>INSCRIÇÕES: </p>
<p>Presencial, no DLET (UEFS)</p>
<p>On line (formulário) </p>
<p>Valor da inscrição </p>
<p>Alunos: apenas participação R$ 10,00; com apresentação R$ 25,00<br />
Professores: apenas participação R$ 30,00 com apresentação R$ 50,00</p>
<p>As inscrições serão feitas mediante comprovante de pagamento da taxa referente ao tipo de participação. Alunos e professores da UEFS, o pagamento deverá ser efetuado na GEFIN.</p>
<p>P R O G R A M A Ç Ã O </p>
<p>18/06: 9h – Conferência de abertura: A leitura e a escrita no mundo digital: desafios e propostas  - Profa Dra Désiréé Mota Roth (UFSM)</p>
<p>10h: Mesa Redonda: A Lingüística Aplicada ao Ensino de língua - Coord: Profa Dra Désiréé Mota Roth (UFSM)</p>
<p>14h Mesa Redonda: Interfaces digitais no ensino e aprendizagem de línguas portuguesa e  estrangeiras – Coord. Profa Ms Nadja Lima Maciel (UEFS)</p>
<p>16h Mesa Redonda: Contribuições da Sociolingüística para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita – Coordenação: Profa Dra Norma Lúcia F. de Almeida</p>
<p>19/06 8h: Mesa Redonda: Contribuições da Lingüística textual para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita – Coord. Profa Dra Girlene Lima Portela</p>
<p>10h: Mesa Redonda: A leitura, a interpretação e a escrita em língua primeira e em segunda língua - Coord. Profa Ms. Maria L. L. Garrido </p>
<p>14h: GT Contribuições da Lingüística textual para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita</p>
<p>16h: GT A leitura, a interpretação e a escrita em língua primeira e em segunda língua</p>
<p>20/06 8h Mesa Redonda: Alfabetização e Letramento - Coord. Prof. Ms Ricardo Heckner Luz (UFSC) </p>
<p>10h Mesa Redonda: O papel da leitura, da interpretação e da escrita na formação docente e discente – Coord. Profa Dra Adriana Barbosa (UESB)   </p>
<p>14h Mesa Redonda: Contribuições da Filologia para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita – Coord. Profa Dra Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz</p>
<p>16h GT Contribuições da Filologia para o ensino-aprendizagem de leitura e escrita
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/ii-eneale-encontro-nacional-de-ensino-aprendizagem-de-leitura-e-escrita#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 18:33:17 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Regência Nominal e Regência Verbal</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/regencia-nominal-e-regencia-verbal</link>
	<guid>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/regencia-nominal-e-regencia-verbal</guid>
		<description><![CDATA[<p>O uso lingüístico da Regência nas cartas dos leitores das Revistas Veja e Capricho</p>
<p>Luís Cláudio Mota Mascarenhas </p>
<p>RESUMO: O presente artigo visa a mostrar que o uso lingüístico da regência verbal e nominal nas cartas dos leitores para as Revistas Veja e Capricho apresenta traços da oralidade.</p>
<p>ABSTRACT: The present article aims at to show that the linguistic use of the verbal and nominal regency in the letters of the readers for the Magazine Veja and Capricho, presents traces of the orality.</p>
<p>PALAVRAS CHAVES: Regência, variação lingüística, gramática, língua.</p>
<p>WORDS KEYS: Regency, linguistic, grammatical variation, language.</p>
<p>	Já se disse várias vezes que o português brasileiro é uma língua uniforme. Essa uniformidade era (e é) afirmada por uma grande parcela de gramáticos tradicionalistas que acredita na homogeneidade de uma língua. Diante disso, sempre se questionou se a língua falada é a mesma estudada, visto que a maioria dos saberes lingüísticos sistematizados e elaborados pela escola sempre deturpa o real significado de se ensinar Língua Materna. Assim, as informações acima citadas podem contribuir muito bem para a construção limitada de um determinado fenômeno lingüístico, tornando a modalidade culta como única e soberana, impossibilitando que falantes adaptem-se de forma natural a diferentes contextos de fala.<br />
	Partindo desse pressuposto, é necessário mostrar os fenômenos pelos quais a língua perpassa, para depois focalizar o uso da regência, tanto na língua escrita como na falada. Todas as línguas, como dizem Basso e Ilari (2006), estão sujeitas à variação, haja vista que elas possuem uma história interna que diz respeito às mudanças ocorridas ao longo de sua gramática e uma história externa que mostra de forma sucinta a sua evolução em concomitância com as relações sociais e com determinadas comunidades lingüísticas. Diante disso, Bagno (2001) diz que a escrita é o reflexo da fala, pois escrevemos da mesma forma que pronunciamos as palavras mediante a gramaticalizações e a lexicalizações que muito contribuem para a formação de novas palavras, novos significados e construções frasais que dinamizarão a comunicação em sociedade.<br />
	Partindo dessa discussão, pergunta-se: Como as Gramáticas Normativa e Descritiva concebem e conceituam lingüisticamente o uso da regência no Português Brasileiro? Para mediar essa discussão, torna-se necessário definir os objetivos destas gramáticas acima citadas. Para a Gramática Normativa, o falante só terá condições de fazer o bom uso da língua escrita e falada, se o mesmo tiver conhecimento das regras estabelecidas, ao contrário da Gramática Descritiva, que além de trazer um conjunto de regras em doses homeopáticas, procura mostrar como a língua realmente funciona, afirmando que para o falante fazer o bom uso dela (a língua) é necessário desenvolver os hábitos de leituralização e escrita. Assim, verifica-se que a Gramática Normativa e a Gramática Descritiva têm concepções diferentes de se ensinar língua.<br />
	Para a Gramática Normativa, é na regência que as palavras de um período frasal tornam-se interdependentes, isto é, relacionam-se para formar gramaticalmente um todo significativo processando uma relação entre duas palavras, sendo que uma delas servirá de complemento para a outra na mesma sentença e que suas relações podem ser indicadas:</p>
<p>(1)	Pela ordem que se dispõem os termos na oração;<br />
(2)	Pelas preposições cuja função é justamente a de ligar palavras estabelecendo entre elas um laço de dependência;<br />
(3)	Pelas conjunções subordinativas, quando se trata de um período composto.</p>
<p>Observa-se que um simples conteúdo lingüístico está carregado de prescrições normalistas, uma vez que essas regras não são e (não serão) usadas no cotidiano e que por vezes atrapalham a logicidade de se compreender que a palavra dependente denominar-se-á regente e o termo a ele subordinado de regido, como bem se explicita abaixo e que tanto uma como a outra explica o seu uso:</p>
<p>(4)	Valdomiro Diniz visou o alvo certo.<br />
(5)	Na luta pela sobrevivência, Artur visou a um emprego melhor.</p>
<p>Tanto a GN  quanto a GD  explicam que a exemplificação em (4) o verbo visar exige sistematicamente um complemento sem a introdução de uma preposição, ao contrário de (5) cujo verbo da sentença oracional exigirá a preposição antes do complemento. As duas gramáticas estão de acordo quanto a construção (4), visto que, para a frase ser construída, o falante sempre usará a preposição com o intuito de se estabelecer o sentido da mesma, ao contrário de (5), na qual a GN sustenta a necessidade de seu uso, enquanto a GD afirma que o uso da preposição antes do complemento nunca será executado pelo falante, tanto letrado quanto iletrado, mas não explicou o porquê de isso acontecer. Assim, quando o termo numa oração regente for o nome, tratar-se-á de uma regência nominal e quando acontecer o contrário, tratar-se-á de uma regência verbal, como se pode observar em (6) e (7):</p>
<p>(6)	Eles eram fiéis ao amigo Lula.<br />
(7)	Os Jogadores da Seleção Brasileira necessitavam de apoio. </p>
<p>Geralmente, quando a GN focaliza o uso da Regência no seu corpo conteudístico, ela traz alguns verbos que são usados no uso popular e que estão em desacordo com a norma culta, que também é uma variação, visto que, para Bagno (2001) e Possenti (2006), o que importa é o estabelecimento da comunicação, já que quem diz e entende frases é porque conhece a estrutura de uma língua e essa lista de verbos, de acordo com a GD, jamais deverá ser levada em conta pelo simples fato de que os mesmos podem ser empregados em diferentes situações de comunicação. Esse ranço lingüístico de considerar o que é popular como desvio, dá-se notoriamente através da história da própria, gramática que significa a arte de escrever bem, e que contribui para a construção de um equívoco: a separação da modalidade escrita da modalidade falada. Assim, como bem profere Perini (2004), a maioria dos falantes tende a pensar que a língua de verdade, a correta, é a escrita e que a fala é uma versão facilitada e cheia de erros, como se pode verificar nas construções frasais abaixo retiradas de uma revista que tem como público, alvo jovens adolescentes e que para a GN, seria erro, ao contrário da GD que nada afirmaria, e sim explicaria:</p>
<p>(8)	João namorava com Antonia e o fruto desta relação proporcionou a geração de um filho que muito acrescentou aos dois.<br />
(9)	A reportagem de capa muito enfatizou que a maioria dos jovens preferem mais estudar que trabalhar.</p>
<p>Sabe-se que a fala de uma falante pode influenciar a de um outro e esses novos hábitos lingüísticos passam a fazer parte do cotidiano destes indivíduos envolvidos no processo comunicativo e que por meio de uma interação social, tendem a contribuir de forma positiva, mesmo estando certos ou errados. O que acontece é que, tanto na escrita quanto na oralidade, essas construções são estabelecidas, uma vez que é muito mais fácil se pronunciar frases do tipo (8) e (9) do que as sentenças abaixo:</p>
<p>(10)	João namorava Antonia e o fruto dessa relação proporcionou a geração de um filho que muito acrescentou aos dois.<br />
(11)	A reportagem de capa muito enfatizou que a maioria dos jovens preferem estudar a trabalhar.</p>
<p>A GD, ao contrário da GN, é muito mais lógica e objetiva quando pretende procura explicar algum fato ou fenômeno lingüístico sem proporcionar uma derrama de regras, que mais atrapalha do que ajuda. Um outro fator a se observar é que existem algumas construções regenciais que são faladas por jovens, alguns adultos e rejeitadas por idosos, ocorrendo, assim, uma variação por faixa etária e que na fala ganha dimensões abstratas que por sua vez, concretiza-se por meio da escrita:</p>
<p>(12)	Adorei a reportagem de capa sobre a importância do diário. E quando alguém fala para mim escrever alguma coisa, fico lisonjeada e feliz.</p>
<p>Isso normalmente acontece quando jovens, por meio de um preconceito arcaico, tem certa insegurança ao empregar o pronome de primeira pessoa do singular eu, acreditando que tal colocação esteja fugindo aos padrões formais e vêem no mim uma alternativa ou modismo para que seja usado, não levando em conta o valor semântico da preposição empregada. Diante disso, o que se tem observado é que este tipo de construção está muito freqüente tanto na escrita quanto na oralidade de uma grande parcela de falantes letrados e iletrados de diferentes classes sociais. Assim na sentença (12) como bem explicam as duas gramáticas utilizadas para este estudo, o que se observa é que a preposição deveria reger o verbo no infinitivo, o que proporcionará a construção do tipo: </p>
<p>(13)	Adorei a reportagem de capa sobre a importância do diário. E quando alguém fala para eu escrever alguma coisa, fico lisonjeada e feliz.</p>
<p>Uma outra sentença proferida pela grande maioria dos falantes é o uso do para, no e nem em substituição de ao e/ou à, visto que tanto a GN quanto a GD explicam que os verbos dessas orações pedem complemento preposicionado quando significa estar presente a, pois no Português Coloquial Brasileiro o verbo constrói-se em tal acepção como objeto direto, sendo pronunciados e escritos de tal forma que seu uso já se tornou comum, como se pode observar abaixo:</p>
<p>(14)	Agradeço a Revista Veja pelo resumo de Diamante de Sangue. Ao assistir ao filme pude perceber que ele representa a realidade de algumas nações africanas.<br />
(15)	A revista foi feliz quando apontou e mostrou prova sobre a máfia dos fiscais e isso permitiu que a Polícia Federal fosse para Campinas para apurar as denuncias de corrupção.<br />
(16)	A matéria de Superinteressante sobre museus e suas informações, contribuíram para minha ida para o MASP.</p>
<p>As sentenças (15) e (16) mostram o emprego da preposição para, neste caso, observa-se que tal uso processa-se tanto na fala quanto na escrita e que já se tornou consagrado entre escritores modernos, sendo que seu uso padrão sempre continua sendo fiel à preposição a como afirma a GN e GD. Por outro lado, a sentença (14) traz uma construção oracional, cuja poucos falantes apropriam-se dela nos atos de fala, pois a GN e a GD afirmam que o verbo pede um complemento preposicionado, sendo falada por poucos falantes do Português Brasileiro. Assim, a Construção de (15) e (16) para a GN está incorreta quanto ao emprego da preposição, visto que a GD não condena, procura explicar o acontecimento do fenômeno, mas, por traz destas explicações, existem uma pequena quantidade de regras.<br />
Assim, estudar o uso lingüístico da Regência no Português escrito e falado foi substancial para que novos paradigmas fossem elaborados para se acabar com o mito da uniformidade que nunca existiu, visto que o primordial seria se as salas de aulas se transformassem em laboratórios de aprendizagem para a vida e, assim, a escola, não só formaria pesquisadores em sua própria língua, como também usuários competentes dentro do processo comunicativo. Partindo dessa premissa, trabalhar com a Gramática Normativa e a Gramática Descritiva, possibilitou a construção de uma nova perspectiva de se ensinar língua, gramática e análise lingüística e verificar que tanto uma quanto a outra trabalham as regras sobre perspectivas diferenciadas. Por fim, é bom salientar que a gramática deverá se transformar num manual para consulta para aquisição de hábitos lingüísticos comunicativos.   </p>
<p>REFERÊNCIAS</p>
<p>BAGNO, Marcos. Português ou brasileiro? um convite à pesquisa. 2 ed. São Paulo: Parábola, 2001.<br />
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37 ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005.</p>
<p>CAPRICHO. São Paulo. Ed. Globo, n. 5, 12 de maio 1998. 12p.</p>
<p>ILARI, Rodolfo & BASSO, Renato. O português da gente: a língua que estudamos a língua que falamos. São Paulo: Contexto, 2006.</p>
<p>PERINI, Mário A. A língua do Brasil amanha e outros mistérios. São Paulo: Parábola, 2004.</p>
<p>____________. Sofrendo a gramática. São Paulo: Ática, 1997.</p>
<p>POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: Mercado das Letras, 2006. </p>
<p>TERRA, Ernani. Curso prático de gramática. São Paulo: Scipione, 1994.</p>
<p>VEJA. São Paulo. Ed. Abril, n. 131, 25 de set. 2006. 27p.
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/regencia-nominal-e-regencia-verbal#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 17:59:08 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Definição de Lingüística</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/definicao-de-linguistica</link>
	<guid>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/definicao-de-linguistica</guid>
		<description><![CDATA[<p>Lingüística </p>
<p>É o estudo científico da linguagem verbal humana. De maneira geral, interessa à ciência da linguagem saber como se estruturam as línguas, quais as relações existentes entre elas e como se desenvolvem. Nesse sentido, importa à Língüística inisistir no caráter científico e não prescritivo do estudo: como o objeto desta ciência constitui uma atividade humana, é grande a tentação de abandonar o domínio da observação imparcial para recomendar determinado comportamento, de deixar de notar o que realmente se diz para passar a recomendar o que deve dizer-se.</p>
<p>A ciência da linguagem se desdobra em muitos campos de estudo, cada um dos quais focado em aspectos determinados da linguagem. Alguns desses campos encontram-se elencados na seção "interesses".
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/definicao-de-linguistica#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 17:53:37 +0300</pubDate>	</item>
	<item>
	<title>Nossa Língua</title>
	<link>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/nossa-lingua</link>
	<guid>http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/nossa-lingua</guid>
		<description><![CDATA[<p>Vamos fazer um acordo: contaremos um segredo e você prometerá não revelá-lo a ninguém. Antes de você concordar com a proposta, outras pessoas farão a mesma leitura e passarão a compartilhar do mesmo segredo, mas elas também se comprometerão em ficar com o bico fechado. E cá entre nós: quais as chances de algum dos envolvidos quebrarem com o compromisso e contar o que ficou sabendo sobre língua, linguagem e variantes lingüísticas com os demais profissionais envolvidos com o estudo da linguagem? Você apostaria na possibilidade de manter tal segredo em sigilo?<br />
Contudo espera-se que esse segredo seja realmente sigiloso, mas se os profissionais de linguagem quiserem enviar tudo que aqui fora argumentado por meio de cartas, bilhetes ou e-mails será melhor, haja vista que essas informações serão pertinentes para a construção de uma prática pedagógica que mostre caminhos para se ensinar língua e, acima de tudo, abrir discussões para reflexão sobre ensino gramatical e suas implicações sobre variações lingüísticas dentro do processo comunicativo. Com isso, quem tiver ouvidos para ouvir que ouça.
</p>
<p><a href="http://nossalingua.nireblog.com/post/2008/05/13/nossa-lingua#comments">Comments</a></p>]]></description>
	<pubDate>Tue, 13 May 2008 17:01:53 +0300</pubDate>	</item>
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